Quais são os benefícios da Terapia Ocupacional (TO) para a criança com autismo?

Incluir, estimular e colaborar para que as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) possam realizar com mais autonomia suas atividades do dia a dia. Estas são algumas das funções da Terapia Ocupacional (TO), que se apresenta como uma aliada importante dentro desse olhar de acolhimento e tratamento de crianças com autismo.  

A Terapia Ocupacional é definida, pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), como uma “profissão de nível superior voltada ao estudo, à prevenção e ao tratamento de indivíduos com alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas”. 

Assim, trata-se de uma formação teórica e prática que, no recorte do autismo, pode ajudar a criança a melhorar a qualidade de vida em casa e na escola, expandindo suas habilidades e auxiliando na formação de sua independência. Para saber mais sobre os benefícios da Terapia Ocupacional para crianças com TEA, preparamos este artigo com base no material, “O papel do Terapeuta Ocupacional no tratamento do Autismo”, publicado pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 9° Região (Crefito-9). 

Acompanhe a leitura!

 

Dados sobre autismo no Brasil e no mundo

Antes de começar a citar os benefícios da TO para as crianças com autismo, vamos ao cenário do TEA no mundo e no Brasil. 

Em dezembro do ano passado, um relatório do CDC (Center of Diseases Control and Prevention) mostrou dados recentes a respeito da prevalência de autismo entre crianças de 8 anos (1 a cada 44 crianças). As informações foram coletadas em 2018 e apresentaram um aumento de 22% em relação ao estudo anterior (1 para cada 54 crianças). 

Já no Brasil, em um estudo realizado no interior do Estado de São Paulo, no qual a amostra populacional eram crianças entre 7 e 12 anos de idade, a taxa encontrada foi de 27,2 a cada 10 mil crianças. No entanto, vale destacar que a amostra pode não ser suficiente para abarcar toda a realidade do país. 

O que é o autismo?

Bem, sabemos que é sempre importante falar e informar sobre o autismo para que as pessoas possam superar preconceitos e olhar de outra maneira para o TEA. Então, vamos lá! O autismo trata-se de uma disfunção global do desenvolvimento que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização e de comportamento. 

A causa do autismo ainda não é conhecida, mas estudos em gêmeos monozigóticos indicam que a desordem pode ser, em parte, genética, pois tende a ocorrer em ambos os indivíduos. Em muitas situações, já há a possibilidade de detectar a disfunção antes dos dois anos de idade.

Segundo a ASA (Autism Society of American), pessoas com autismo podem exibir, pelo menos, metade das características listadas a seguir: 

  • dificuldade de relacionamento com outras pessoas;
  • riso inapropriado;
  • pouco ou nenhum contato visual;
  • aparente insensibilidade à dor;
  • preferência pela solidão; 
  • modos arredios;
  • rotação de objetos;
  • inapropriada fixação em objetos;
  • perceptível hiperatividade ou extrema inatividade;
  • ausência de resposta aos métodos normais de ensino;
  • insistência em repetição;
  • resistência à mudança de rotina;
  • não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo);
  • ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal) e estereotipias;
  • recusa colo ou afagos;
  • age como se estivesse surdo;
  • dificuldade em expressar necessidades (usa gestos no lugar de palavras);
  • acessos de raiva (demonstra extrema aflição sem razão aparente);
  • irregular habilidade motora (pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos).

Importante destacar aqui que nem todas as pessoas com TEA apresentam todos os comportamentos citados acima, no entanto, a maioria dos sintomas pode estar presente nos primeiros anos de vida da criança e podem variar de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma. 

Outra informação fundamental é que somente as características não determinam o diagnóstico de autismo e não existem exames laboratoriais ou de imagem capazes de diagnosticar o autismo. Para que haja confirmação do quadro, é preciso o acompanhamento com médico psiquiatra infantil ou neuropediatra.  

Como a Terapia Ocupacional pode ajudar as crianças com autismo?

Agora, vamos compreender como a Terapia Ocupacional (TO) pode ser uma prática aliada da qualidade de vida e autonomia das crianças com autismo, já que, o terapeuta ocupacional estuda o desenvolvimento infantil, os marcos do desenvolvimento e, por meio de atividades lúdicas e estratégicas, estimula as partes motora, sensorial e neurológica da criança. 

Nesse sentido, a Terapia Ocupacional é responsável por combinar uma variedade de ações capazes de ajudar a criança com autismo a responder melhor ao ambiente. Assim, entre essas iniciativas estratégicas, podemos destacar:

  • atividades de vida diária (AVD), como amarrar cadarços, ou quebra-cabeças, para ajudar a criança a desenvolver a coordenação e a consciência corporal;
  • atividades lúdicas para ajudar na interação e na comunicação;
  • atividades de autocuidado, como escovar os dentes e pentear o cabelo;
  • estratégias adaptativas, incluindo lidar com as transições e mudanças de atividades.

Sinais que podem estar presentes na execução das AVD’s e ter relação com problemas de processamento sensorial: 

  • Dificuldade de manusear talheres corretamente;
  • Derramar grande quantidade de comida durante a alimentação;
  • Demorar para se vestir, dificuldade em se vestir; 
  • Vestir-se sozinho, mas a roupa fica torta/ enrolada no corpo;
  • Não deixar cortar a unha;
  • Dificuldade para escovar os dentes; 
  • Dificuldade de cortar/lavar o cabelo; 
  • Dificuldade na alimentação 
  • Se confundi durante a execução de amarrar os cadarços;
  • Trocar os pés no momento de calçar os sapatos. 

Quais os benefícios da Terapia Ocupacional no dia a dia da criança com autismo?

O objetivo da Terapia Ocupacional é introduzir, de forma gentil e com base em fundamentos teóricos, maneiras de ajudar a criança com autismo a melhorar sua qualidade de vida em sua rotina, nos ambientes que convive, como em casa e na escola. 

No Brasil, a Integração Sensorial é uma linha de atuação exclusiva da Terapia Ocupacional e tem comprovação científica para o tratamento de pessoas com questões de processamento sensorial. 

De acordo com a metodologia de trabalho, o processamento sensorial é a habilidade do sistema nervoso central de absorver, processar e organizar as informações trazidas pelos sentidos e, em seguida, produzir respostas adequadas, seja por meio do comportamento ou da aprendizagem.

Dessa maneira, o profissional que atua como terapeuta ocupacional pode lançar mão desse conhecimento específico e colaborar para manter ou melhorar as habilidades das crianças com autismo, visando a melhora na qualidade de vida e no desenvolvimento da independência das mesmas. 

Então, algumas das habilidades que a Terapia Ocupacional promove nas crianças com autismo são:

  • habilidades da vida diária, como ir ao banheiro, vestir-se, escovar os dentes e outros hábitos de higiene;
  • habilidades motoras finas necessárias para segurar objetos, escrever à mão ou usar uma tesoura;
  • habilidades motoras grossas usadas para caminhar, subir escadas ou andar de bicicleta;
  • posturas ou habilidades perceptivas, como saber as diferenças entre cores, formas e tamanhos;
  • conscientização de seu corpo e sua relação com os outros.
  • habilidades visuais para leitura e escrita;
  • brincadeira, enfrentamento, autoajuda, resolução de problemas, comunicação e habilidades sociais.

 

Por fim, esperamos que as informações sobre os benefícios da Terapia Ocupacional para a criança com autismo tenham ajudado a compreender melhor a condição e a proporcionar uma vida com mais autonomia, afeto e acolhida às pessoas com TEA.

Instituto SER – Escola Terapêutica Transdisciplinar

O Instituto SER, de Campinas, nasceu em 1989, ao ser elaborado dentro de um Trabalho de Conclusão de Curso de Terapia Ocupacional. Atualmente, atua no desenvolvimento humano e na socialização de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), Síndromes associadas, Síndrome de Down, e outros transtornos, como também no apoio aos seus familiares.

A instituição oferece tratamento e escolarização por meio de metodologia própria e também por meio da metodologia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), que contempla a estimulação contínua do repertório de atividades cognitivas, sociais e ocupacionais.

O SER é mantenedor da Clínica e da Escola Terapêutica Transdisciplinar – Modalidade Educação Especial de 1º ao 9º ano. Para saber mais, acesse o nosso site

Até o próximo!

 

Fontes:

Revista Crescer 

Dráuzio Varella 

Crefito

Observatório do Autsita

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