Tudo que é preciso saber para conscientização do autismo e do TEA

Tudo que é preciso saber para conscientização do autismo e do TEA

O autismo é uma condição que altera os processos de comunicação social e linguagem e de comportamento restritas e repetitivas. Para vivermos em uma sociedade mais compreensiva e inclusiva, é preciso que haja informação e conscientização em relação às diferentes formas de vida. 

Assim, é preciso saber sobre o autismo e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecer seus sinais e tratamentos para que suas particularidades e necessidades sejam respeitadas e para que tanto os autistas quanto cuidadores e familiares possam ser acolhidos. Oferecer informação a respeito do autismo é também uma forma de possibilitar o diagnóstico precoce.

Então, para esclarecer sobre as principais questões que envolvem o autismo e o TEA, preparamos este artigo. Acompanhe a leitura para entender mais sobre o transtorno mental que atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Autismo e TEA são a mesma coisa?

Para começar, o autismo está incluído dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) desde 2018, quando o TEA passou a constar na nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a CID-11.

A versão atualizada do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: o TEA.

Por que se fala em espectro autista?

Por se tratar não de uma enfermidade em si, mas de uma condição com uma série de alterações que afetam o desenvolvimento, a capacidade de comunicação, a interação social e o comportamento, o autismo é diverso em sua manifestação.

Assim, a noção de espectro foi criada para poder abraçar a grande variabilidade de sintomas, alterações e características das pessoas com algum grau de autismo. Como as habilidades podem ser comprometidas em maior ou menor grau de gravidade, o termo espectro foi adotado. 

Quais os sinais do autismo?

O TEA pode causar desvios de aprendizagem em diferentes áreas do desenvolvimento e os sintomas também vão ser apresentados assim, com variações, e incluem a linguagem, a conduta e a habilidade de criar e estabelecer relações interpessoais.

Como dissemos bem no início, o autismo não tem cara. O autismo é diverso, cada autista é um indivíduo único, com suas particularidades. Cada autista é um. No entanto, há alguns sinais no comportamento que são semelhantes e que devem ser observados, principalmente, logo na primeira infância para um diagnóstico precoce. 

Veja só:

  • bebês que não buscam o olhar da mãe durante a amamentação;
  • bebês que não demonstram diferença entre o colo dos pais e o de desconhecidos;
  • bebeê não reconhece seu nome ou não atende ao ser chamado;
  • interações sociais ausentes;
  • não responde a brincadeiras de adultos ou outras crianças;
  • não aponta para o que quer;
  • conduz as mãos do adulto para pegar o que deseja;
  • comportamentos motores repetitivos, como agitar de mãos, tronco ou cabeça;
  • atraso para aprender a engatinhar e andar;
  • atraso ou ausência da fala;
  • incômodo exagerado a determinados estímulos, como luz, sons, texturas;
  • apego exagerado a objetos;
  • fica excessivamente incomodado quando sai da rotina.

Na adolescência e na fase adulta, os sintomas do autismo podem ser:

  • postura corporal ou expressões faciais anormais;
  • ausência de contato visual
  • dificuldade na compreensão de modos de linguagem como o sarcasmo ou ironia;
  • discurso plano ou monótono;
  • foco intenso em um tópico;
  • falta de empatia;
  • dificuldade de aprendizagem;
  • movimentos repetitivos;
  • distúrbios do sono;
  • reações incomuns em ambientes sociais;
  • uso de palavras ou expressões muito formais.

Como é dado o diagnóstico do TEA?

Conhecidos os sinais e sintomas do autismo, como é feito o diagnóstico? Ao observar um ou mais dos comportamentos citados, o que a família ou a pessoa responsável deve fazer?

O TEA tem um diagnóstico, em essência, clínico e que deve ser realizado por profissionais de saúde especializados, dentre estes, a psiquiatria e a neurologia fazem o seu papel. O diagnóstico é feito por meio da observação direta do comportamento do paciente, com testes padronizados para diagnosticar o autismo e determinar a gravidade funcional do distúrbio, além de uma conversa com os pais ou cuidadores. 

Como vimos acima, os sintomas mais característicos do autismo podem ser percebidos na primeira infância, antes dos 3 anos de idade. O diagnóstico já é possível por volta dos 18 meses. 

No entanto, no diagnóstico do TEA, além da presença dos sintomas, é levado em consideração também a gravidade deles e como eles afetam a capacidade do paciente de realização no dia a dia. Dessa forma, há uma combinação de critérios para fechar o diagnóstico e determinar o nível do transtorno. 

Quais os tipos de autismo? 

Agora que compreendemos que o autismo se dá por uma série de alterações no desenvolvimento neurológico e no padrão comportamental, que impactam, em níveis diferentes, a interação social e as habilidades de comunicação, o melhor seria dizer que existem várias formas de manifestação do TEA. 

A nova abordagem dos especialistas deixa de tipificar o autismo e passa a relacionar sua presença à gravidade da sua condição.

Veja como se classifica o autismo hoje:

  • autismo de nível 3 ou com baixo funcionamento 

Pessoas diagnosticadas com nível 3 de autismo, ou baixo funcionamento, necessitam de apoio significativo nas tarefas de rotina, como se alimentar e fazer a higiene pessoal.  

As disfunções podem afetar de forma grave a capacidade de aprendizado de uma criança ou adulto, além de dificultar as interações e relacionamentos sociais.

Nesse nível de autismo, geralmente, as crianças não desenvolvem a fala e o funcionamento mental ou cognitivo também fica prejudicado. 

Ainda nesse grau de TEA, é percebida uma fixação extrema em alguns comportamentos e a mudança na rotina pode deixar o paciente excessivamente incomodado. A pessoa com autismo mais severo tem extrema dificuldade em interagir. 

  • Autismo de nível 2 ou com funcionamento moderado 

Aqui, no autismo de nível 2 ou de funcionamento moderado, geralmente, os pacientes precisam de alguma assistência, mas podem ter alguma independência. No autismo grau dois, quando adulto, o paciente pode chegar a exercer uma profissão.

Há comunicação verbal, no entanto, suas conversas podem ser atípicas e simplificadas, além de incluir uma linguagem repetitiva ou ações verbais não funcionais, como se comunicar por meio de sinais ou dispositivos tecnológicos.

No autismo nível 2, o adulto ou a criança tem certa dificuldade para socializar e, geralmente, evitam interagir. Há uma dificuldade em iniciar ou manter uma relação com as outras pessoas. 

  • Autismo nível 1 ou de alto funcionamento 

Tratam-se de pessoas com diagnóstico mais leve do transtorno. Neste grau, muitos pacientes autistas vivem e trabalham de forma totalmente independente. 

Eles possuem habilidades verbais normais, no entanto, acham difícil manter conversas frequentes com outras pessoas. O contato visual é abaixo do esperado e os autistas de grau leve vêem como desafiante interpretar a linguagem corporal e o tom de voz. Aqui, há menos comportamentos restritos e repetitivos. 

Indivíduos com autismo leve têm inteligência normal e, em alguns casos (cerca de 10%), têm um QI bem acima do normal. No entanto, apresentam dificuldades para realizar algumas tarefas, principalmente, aquelas que exigem decisões rápidas ou que mexam com a rotina. 

Depois do diagnóstico, por onde começar?

Receber o diagnóstico de TEA desencadeia uma série de sentimentos e pode ser um sofrimento para todos os envolvidos. 

Por isso, é tão fundamental conhecer as características do espectro do paciente e aprender quais técnicas, terapias e tratamentos podem facilitar a comunicação da criança – ou adulto – e seu relacionamento com a família e as pessoas de sua conveniência. 

É importante procurar por ajuda médica especializada, encontrar centros de referência em TEA e contar com uma equipe multidisciplinar que possa atender às necessidades específicas de cada autista. 

Assim, devemos destacar que, do ponto de vista clínico, a condição do autismo pode ser trabalhada, reabilitada, modificada e tratada. Todas as iniciativas devem ter o propósito de possibilitar ao indivíduo um convívio social positivo e, inclusive, de inseri-lo nas atividades acadêmicas e profissionais.  

A importância do diagnóstico precoce

O olhar atento, o cuidado presente e a convivência próxima e ativa dos pais ou dos responsáveis no início da vida são indispensáveis para um diagnóstico precoce de crianças com autismo.

O diagnóstico precoce possibilita que os autistas tenham acesso a assistência, acolhimento e compreensão sobre sua condição, logo cedo, favorecendo, assim, seu desenvolvimento futuro e suas perspectivas ao longo da vida.

Quais os tratamentos e terapias para o autismo? 

O autismo não tem cura, nem remédio. O que pode ser medicado na pessoa com a condição são alguns sintomas, como agressividade, depressão e ansiedade.

O tratamento do TEA deve envolver uma equipe profissional multidisciplinar, que engloba médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e pedagogos. Terapias como equoterapia e musicoterapia também são indicadas. 

Há ainda novas terapias que chegam para aprimorar o atendimento aos pacientes de TEA e possibilitar uma melhor qualidade de vida para eles e para seus familiares.

Veja quais são:

 Colocar todas as terapias (metodologias) que temos no nosso site resumidamente.

  • ABA (Applied Behavior Analysis)

Em português, o termo é traduzido como Análise do Comportamento Aplicada. Trata-se de uma terapia de aprendizagem com foco, basicamente, no reforço dos comportamentos positivos.

A Associação para a Ciência do Tratamento do Autismo dos Estados Unidos já reconhece a ABA como um recurso terapêutico com evidência científica suficiente para ser considerado eficiente no tratamento de pessoas com autismo.

Em sua metodologia, a Análise Comportamental Aplicada voltada para o TEA envolve o ensino intensivo e individualizado de habilidades necessárias para gerar autonomia. Então, são abordadas ações como:  

– comportamentos sociais, tais como contato visual e comunicação funcional;

– comportamentos acadêmicos tais como pré-requisitos para leitura, escrita e matemática;

– atividades da vida diária como higiene pessoal.

– redução de comportamentos tais como agressões, estereotipias, autolesões, agressões verbais, e fugas.

  • TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children)

O Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação é uma terapia educacional e clínica, que faz uso de uma prática psicológica e/ou psicopedagógica. 

Foi criado a partir de um projeto de pesquisa que observou de maneira profunda os comportamentos das crianças autistas em diversas situações, frente a diferentes estímulos.

O TEACCH tem o objetivo de auxiliar na preparação das crianças para viverem e trabalharem de forma mais independente possível. 

Entre suas práticas estão a avaliação de pontos fortes, de maior interesse, e de dificuldades para desenvolver um programa individualizado; além da adaptação e estruturação do ambiente (casa, escola, trabalho, etc) para facilitar a compreensão do paciente em relação aos seus espaços sociais. 

Trata-se, assim, de uma compreensão mais aprofundada de cada paciente e de quais ferramentas o terapeuta dispõe para melhorar as condições dos indivíduos com TEA. 

  • Estimulação Essencial 

Trata-se de um programa baseado em intervenções individualizadas, que considera a singularidade de cada criança. 

A Estimulação Essencial utiliza tentativas multidisciplinares especificadas para amenizar distúrbios no desenvolvimento psicomotor.

  • Psicomotricidade 

A Psicomotricidade é uma abordagem cientificamente comprovada na educação e no tratamento da pessoa com deficiência. Atualmente, a metodologia é conhecida como uma integração do corpo em movimento, a partir da relação entre a pessoa e o meio.

A psicomotricidade tem como finalidade promover, por meio de uma ação pedagógica e terapêutica, o desenvolvimento de todas as potencialidades da pessoa com deficiência, gerando o equilíbrio biopsicossocial.

  • PECS

O PECS é uma metodologia que utiliza a comunicação funcional e expressiva para um ambiente favorável e que constrói conceitos a partir do concreto. 

Trata-se, assim, de um sistema único de comunicação alternativa e aumentativa. O PECS já foi implementado em todo o mundo, com milhares de pessoas de todas as idades que possuem dificuldades cognitivas, físicas e de comunicação.

  • Currículo Funcional 

O Currículo Funcional Natural (CFN) é uma via de acesso ao desenvolvimento das habilidades essenciais e da participação em vários ambientes de maneira integrada da pessoa com deficiência. 

A metodologia apresenta a conduta para o indivíduo participar da vida social e ter autonomia, contando com a família e os profissionais. 

O Currículo Funcional é uma abordagem em que o método se adapta à pessoa e não a pessoa ao método.

Metodologia que visa a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento de habilidades a serem ensinadas como uma junção para a vida.

  • Integração Social 

A Integração Sensorial é um processo neurobiológico capaz de promover a capacidade de processar, organizar e interpretar sensações e responder de maneira apropriada ao ambiente.

Ela permite que os sentidos forneçam informações acerca das condições físicas do corpo e do ambiente e, dessa maneira, possibilita à criança experimentar o corpo nas ações e nas atividades do dia-a-dia.

Por fim, as informações compartilhadas aqui são para incluir, esclarecer e inspirar. Ao compreender o TEA, seus graus, terapias e tratamentos, é possível fortalecer a caminhada rumo a uma sociedade mais consciente, aberta e interessada nas pessoas com autismo. 

 

O Instituto SER está em atividade há 31 anos e atua no desenvolvimento humano, na socialização de pessoas, principalmente, com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), Síndromes associadas, Síndrome de Down e outros transtornos, como também no apoio aos seus familiares.

O Instituto SER oferece tratamento e escolarização por meio de metodologia própria e também por meio da metodologia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), que contempla a estimulação contínua do repertório de atividades cognitivas, sociais e ocupacionais.

O SER é mantenedor da Clínica e da Escola Terapêutica Transdisciplinar – Modalidade Educação Especial de 1º ao 9º ano.

Para saber mais, acesse o nosso site.

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